Dr Hugo C. Neves e Dr Edson A. Neves
Doenças Vasculares

Erisipela - Infecção aguda da pele nas pernas

por , 07/09/2010

...infecção aguda da pele, onde ocorre uma intensa lesão da pelecapilarite linfática da derme). O agente agressor (etiológico) mais frequente é o Streptococcus pyogenes...

Há cinco milênios atrás, conhecida como “fogo de Santo Antônio”, Erisipela é uma infecção aguda da pele, onde ocorre uma intensa lesão da pele (capilarite linfática da derme). O agente agressor (etiológico) mais frequente é o Streptococcus pyogenes (Streptococcus beta-hemolítico do grupo A), responsável por 58 a 67% dos casos.

Pode ocorrer em pessoas de qualquer idade (predominantemente entre os 20 e 90 anos, sendo o pico entre 60 e 80 anos de idade). Algumas doenças que proporcionam edemas regionais predispõem à ocorrência de erisipelas, como o edema de origem venosa, linfática, cardíaca ou renal. Como outros fatores predisponentes, podemos citar alcoolismo crônico, diabete melito, obesidade e imunodeficiência.

Alguns sinais e sintomas gerais (febre alta, calafrios, mal-estar, vômitos, dores no corpo) costumam aparecer até dois dias antes das alterações cutâneas, isso ocorre devido a liberação de toxinas pela bactéria estreptocócica na corrente sanguínea. Após esse período começa o aparecimento de uma pequena área eritematosa, que se espalha progressivamente, se tornando uma placa eritematosa elevada, quente, brilhante e bem delimitada (forma eritêmato-edematosa). Também existe a forma bolhosa (vesicobolhosa), contendo vesículas com conteúdo seroso ou sero-hemático.

Há algumas complicações da Erisipela, que devem ser ressaltadas como a Fasciíte Necrosante (resposta inflamatória sistêmica intensa, evolução rápida da lesão cutânea para necrose, são lesões profundas, comprometendo até a fáscia aponeurótica e tem pobre reação linfática local), a Erisipela Necrosante (quadro insidioso, porém também progressivo, sinais maiores de linfangite, sem envolvimento da fáscia muscular), os Abscessos, o Linfedema persistente e até a Trombose venosa profunda (associada em 1 a 5% dos pacientes).

O diagnóstico é feito pelo exame clínico angiológico, observando os sintomas e sinais do paciente. O uso de exames complementares pode ser sugerido para acompanhar uma evolução da doença.

Quando diagnosticado e tratado inicialmente, o quadro sistêmico regride em dois a três dias e as lesões cutâneas diminuem gradativamente o eritema e o edema. Após duas semanas pode observar uma pele mais escura e descamativa. Pode ocorrer remissão mesmo sem tratamento, porém aumentam as chances de um maior prejuízo linfático e de edemas persistente.

O tratamento se baseia em cuidados higiênicos (mantendo os espaços entre os dedos sempre secos e limpos), curativos diários dos ferimentos, bandagem com proteção, adequada dieta e repouso para evitar os edemas. Antibióticos indicados adequadamente. Tratamento de lesões preexistentes que funcionam como porta de entrada (atenção para as micoses interdigitais).

No lado do tratamento cirúrgico incluem a drenagem dos abscessos e o desbridamento cirúrgico, com a finalidade de tirar os tecidos desvitalizados que servem como meio de cultura.

O importante é procurar fazer uma consulta especializada com o seu Angiologista, a fim de avaliar o comprometimento existente e indicar o tratamento adequado. Pois quanto mais rápido der início ao tratamento correto, melhor e mais precoce será o resultado esperado.


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